segunda-feira, julho 12, 2010

Plantas medicinais

Este estudo tem por objetivo fundamentar e acrescentar informações sobre algumas plantas medicinais brasileiras e exóticas para maior conhecimento da população. Ainda conhecemos muito pouco de nossas plantas medicinais. Muitas vezes usamos sem conhecer sua atuação e sua finalidade. Geralmente, não conhecemos sua toxicidade e seus efeitos colaterais e, as contra-indicações. Estas estão longe de serem conhecidas. São várias as ciências envolvidas para ajudar a entender este universo. Plantas medicinais é um mundo a ser conhecido. Em parte, já vivido por uma grande parcela da população.

Plantas medicinais sempre foram usadas pelos povos. Contudo, agora a ciência pode dar uma grande contribuição: nomear, conhecer substâncias, sua ação no organismo, sua toxicidade, seus efeitos colaterais, suas interações, etc...

ESPINHEIRA SANTA

Nome científico:
Maytenus ilicifolia
Nome popular: espinheira santa, cancerosa-de-sete-espinhos, cancrosa, contorça, maiteno, salva-vidas, sombra-de-touro, erva-santa.
Sin. Maytenus angustior, Maytenus muelleri, Maytenus hassleri, Maytenus spinifolium
Família: Celastraceae
Parte usada:
folhas
Origem: sul e sudeste do Brasil

Princípios ativos: taninos, flavonóides, mucilagens, terpenos (maitensina, maitomprina, maitambutina, e maitolidiana) e sais de ferro, enxofre, sódio e cálcio.

Ação da espinheira santa:
Possui uma propriedade tonificante (por reintegração das funções estomacais);
Potente ação anti-úlcera gástrica (tanino);
Cicatrizante de lesão ulcerosa;
Potente ação sobre fermentações gastrintestinais (devido à ação anti-séptica);
Age sobre o fígado (devido às perturbações intestinais);
Acalma as gastralgias (devido ao estímulo e correção das funções).

Indicações:
Tonificante, anti-úlcera, carminativa, cicatrizante, anti-séptica, levemente diurética e laxativa.

Compostos com Espinheira Santa
ESPINHEIRA SANTA COM TÍLIA (indicado para problemas de gastrite nervosa. A tília é uma planta que atua no sistema nervoso como calmante e do aparelho digestivo como uma planta digestiva.)

ESPINHEIRA SANTA COM PARIPAROBA composto indicado para problemas digestivos e hepáticos.

ESPINHEIRA SANTA COM MELISSA OFFICINALIS composto indicado para pessoas com problemas digestivos associados ao estresse e tensão.

ESPINHEIRA SANTA COM SÁLVIA esta combinação é indicada quando há problemas intestinais com “fezes soltas” ou diarréia.

OBSERVAÇÃO: esta é uma planta com baixa toxicidade. Estudos apontam que essa planta é segura para o uso crônico. Contudo, mesmo assim, não tomar além das doses preconizadas.

CONTRA-INDICAÇÕES: a espinheira santa é uma planta abortiva, e durante a lactação diminui a secreção de leite.


guaçatonga

Nome científico:
Casearia sylvestris sw

Sinônimos científicos:
Casearia punctata; Casearia samyda; Casearia parviflora; Casearia ovoidea; Casearia subsessiliflora. Casearia caudata. (Lorenzi, H., 2002)

Família:
Flacourtiaceas

Parte utilizada:
Folhas

Época de colheita
A colheita das folhas da Casearia sylvestris sw é em agosto ou início da primavera, quando começa a floração.

Origem da Casearia sylvestris SW
Esta planta é originária da América Tropical, desde o México até a Argentina. No Brasil vegeta em abundância todo o território. É muito comum nos estados Santa Catarina, Paraná e São Paulo. (Lorenzi, H., 2002)

Nomes populares:
A nomeação das plantas pela população não tem muitos critérios. Além disto, podem variar de região para região. Assim, uma planta pode ter muitos nomes e até ter nomes iguais para plantas diferentes. Veja no caso da Casearia sylvestris SW. Os nomes populares são:
guaçatonga, guaçatunga, guacitonga, guaçutunga, vassitonga, chá-de-bugre, raiz-de-bugre, bugre-branco, cafezeiro-do-mato, cafezinho-do-mato, café-do-diabo, chá-de-lagarto, erva-pontada, fruta-de-saíra, cambroé, gaibim, guaçatunga-falsa, guaçatunga-preta, lingua-de-lagarto, lingua-de-tiú, paratudo, pau-de-bugre, pau-de-lagarto, pau-lagarto, pioia, pitunba-de-folha-miúda, saritã, são-gonçalinho, varre-forno, sarna-de-perro, apiá-ananoçu. (Lorenzi, H., 2002)

Casearia sylvestris SW E OS ESTUDOS CIENTÍFICOS
Serão apresentadas em resumo algumas das principais atividades e propriedades da Casearia sylvestris sw já documentadas.
São as seguintes propriedades da Casearia sylvestris sw, observadas:
• Analgésica;
• Anestésica;
• Antiácida;
• Antifúngica;
• Antiinflamatória;
• Antiulcerogênica;
• Antiveneno;
• Antiviral;
• Antimutagênica;
• Antitumoral;
• Cicatrizante;
• Citotóxica;
• Depurativa;
• Hemostática.

Princípios ativos da Casearia sylvestris sw
Os princípios ativos conhecidos pela ciência da Casearia sylvestris sw, são os siguintes:

• ácido capriônico;
• casearina A até S;
• casearvestrina A até C;
• hesperitira;
• lapachol;
• vicenina;
• óleo essencial;
• taninos;
• antocianosídeo;
• saponinas;
• terpenos;
• triterpenos;
• flavinas;
• flavonóides;
• mucilagens;

Observação: todos os princípios ativos descritos aqui foram descobertos por estudos científicos e em estudos clínicos da Casearia sylvestris sw e, em estudos sobre suas ações farmacológicas.

EMBAÚBA
Nome científico:
Cecropia hololeuca e Cecropia glaziovii
Princípios ativos:
procianidinas, heterosídeo, princípio nitrogenado (ambainina), ácidos orgânicos, Bsitosterol, flavonas, glicosídeos, lactonas triterpênicas e triterpenos pentacíclicos.
Indicações:
Esta planta possui uma ação hipotensora, diurética e moduladora dos canais de cálcio. O extrato das folhas inibe a enzima conversora da angiotensina (ECA) por ação conjunta das flavonas e procianidinas. Além disso, tem ação inibitória do influxo de íons de cálcio e ação agonista sobre os receptores beta adrenérgicos, ocorrendo assim, o efeito hipotensor encontrado nesta planta. É uma planta com atividade diurética. Em estudos farmacológicos demonstrou-se que esta planta possui um efeito depressor do sistema nervoso central, sendo indicada como uma planta ansiolítica leve.

CIPÓ CABELUDO
Nome científico:
Mikania hirsutissima
Nome popular:
Cipó almécega, cipó-almécega-cabeludo, cipó-caatinga, cipó-cabeludo, cipó-de-cerca, erva-dutra, guaco, guaco-cabeludo, guaco-de-cabelos.
Indicações:
É uma planta com ação diurética. Popularmente considerada um poderoso diurético para auxiliar na remoção do ácido úrico do sangue e da urina. Empregada para cistite (inflamação da bexiga), uretrite, infecções do trato urinário, distúrbios renais e até para nefrite.
Cientificamente foi comprovada a ação moluscicida (ação poderosa para matar o caramujo hospedeiro da esquistossomose).

PARIPAROBA
Nome científico:
Piper umbellatum
Nome popular;
Pariparoba, aguaxima, caapeba, caapeba-do-norte, caapeba-verdadeira, caena, capeba, malvaísco, lençol-de-santa-bárbara.
Indicações:
É uma planta que possui propriedades protetoras do fígado. Esta planta é colagoga e colerética. É um estimulante das funções estomacais e pancreáticas. Em estudos científicos com esta planta indica que ela possui uma ação contra a malária (ação contra o Plasmodium berghei) e, em outro estudo comprovou atividade antioxidante. Foi comprovado que esta planta não apresenta atividade mutagênica.
Princípios ativos:
Em estudos científicos foram encontrados substâncias como óleo essencial, esteróides, mucilagens, substâncias fenólicas, pigmentos e foi identificado um composto denominado de “nerolidylcatechol”.

APERTA-RUÃO
Nome científico:
Piper auncum
Nome popular:
Aperta-ruão, aduncum, apeta-joão, matico-falso, jaborandi-falso, joborandi-do-mato, pimenta-do-fruto-ganchoso, caá-peba, nhandi, cheirosa.
Indicações:
Popularmente indicada para afecções do fígado e da vesícula biliar. É empregada como um tônico, carminativa e antiespasmódica.
Observação: uma observação em usar esta planta em uso interno: é que foi encontrado nesta planta o óleo essencial chamado anethole, em concentração de 40%.

SETE SANGRIAS
Nome científico:
Cuphea carthagenensis
Nome popular:
Sete-sangrias, pé-de-pinto, erva-de-sangue, guanxuma-vermelha. Indicações:
Esta planta possui uma ação hipotensora, já comprovada. É uma planta com ação sobre o sistema nervoso central. Atua como ansiolítica e calmante. Atua sobre os vasos sanguíneos dilatando-os. Pode ser usada como diurética.
Princípios ativos:
Esta planta possui em sua composição substâncias como o tanino, mucilagens, saponinas e flavonóides.

Pata de vaca
Nome científico:
Bauhinia forficata
Nome popular:
Pata-de-vaca, unha-de-vaca, unha-de-boi, unha-de-anta, mororó, pata-de-boi, unha-de-veado.
Princípios ativos:
Esta planta possui flavonóides, ácidos orgânicos, alcalóides, taninos, cumarinas e glicosídeos.
Indicações:
É uma planta com ação diurética, hipoglicemiante, hipocolesteremiante.
Parte usada:
folhas

CARQUEJA
Nome científico:
Baccharis trimera
Nome popular:
Carqueja, vassoura, carque, tiririca-de-bebado, carqueja amarga.
Princípios ativos:
A carqueja possui óleo essencial, vitaminas, taninos, flavonóides e saponinas.
Parte usada:
Ramos alados.
Indicações:
Esta planta é indicada como diurética e hipoglicemiante. Contudo, pode ser indicada como anti-reumática, anti-ácida, anti-úlcera, tônica e estimulante do fígado. Por sua ação diurética ajuda na eliminação do ácido úrico e assim, pode ser usada em casos de gota.

Ageratum (erva-de-São-João)
Nome científico:
Ageratum conyzoides
Nome popular:
Mentrasto, catinga-de-bode, catinga-de-barão, catinga-de-barrão, erva-de-são-joão, erva-de-santa-lúcia, erva-de-são-josé, erva-maria, mentraço, mentraz, mentruz e pição-roxo.
Princípios ativos:
Alcalóides, óleos essenciais, resinas, glicosídios, cumarinas e mucilagens.
Indicações
Esta planta possui indicadas várias ações. Contudo, é uma planta com potencial hepatotóxico muito grande. Assim, não é aconselhável utilizá-la.

Assa peixe
Nome científico:
Vernonia polyanthes
Nome popular:
Assa-peixe, chamarrita, assapeixe-branco, cambará-guaçu, cambará-açu, cambará-branco.
Parte utilizada:
Folhas
Indicações:
Esta planta é indicada para eliminar cálculos renais. É uma planta diurética. Contudo, seu uso é indicado para tosses severas e bronquite. Em forma de compressa é usada para dores musculares e reumáticas, pode ser usada para afecções de pele.
Princípios ativos:
Esta planta possui como constituinte ativo alcalóides, glicosídeos, flavonóides e óleos essenciais.

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